Domingo, 28 de Dezembro de 2008

ENTREAJUDA...

 

 

A necessidade de entreajuda para enfrentar a crise foi uma das ideias fortes da comunicação de Natal de Sócrates que não mereceu qualquer comentário, coincidência ou talvez não?
Entreajuda é coisa que os portugueses desconhecem a não ser no futebol e apenas nos bons momentos, se há conceito que os portugueses não têm é precisamente este, facto que é observável no dia a dia.
Com a ditadura a maioria dos portugueses acobardou-se e passou a ter uma visão paternalista do Estado e dos ditadores, era do Estado e do presidente do Conselho que se esperavam as soluções. Foi preciso o regime cair de podre para os portugueses terem um momento de unidade, coisa que durou menos de um mês, talvez pouco mais de uma semana.
Com a democracia os portugueses habituaram-se a atribuir a culpa ao governo. Primeiro vota-se e depois diz-se que se está arrependido, nenhum governo é bem sucedido. Independentemente do partido que está no governo os da oposição nunca lhe encontram qualquer mérito, quando uma personalidade conotada com a oposição fala bem do governo é mais para desfazer na liderança do seu partido do que a pensar no país, foi o que os cavaquistas (incluindo o próprio Cavaco Silva) fizeram enquanto o PSD foi liderado por Luís Filipe Menezes.
É evidente que se questionarmos qualquer político sobre a necessidade de entreajuda nenhum vai dizer que não é necessária, todavia vai acrescentar um mas. O PCP dirá que é necessário acabar com a política de direita para que o resultado dessa entreajuda vá parar às mãos dos mais ricos, é mais ou menos o mesmo que dirá Louça. Manuela Ferreira Leite dirá que sim, mas essa entreajuda não fará sentido se for para ajudar a financiar obras públicas.
As várias corporações também estarão de acordo, mas cada uma delas porá como condição para se envolver nessa entreajuda a satisfação das suas reivindicações.
A verdade é que a regra com que os portugueses se habituaram a viver nos últimos trinta e cinco anos foi a do salve-se quem puder, cada um amanha-se o melhor que pode mesmo que seja em prejuízo do seu país, do amigo, do vizinho e até do familiar.
Se Kennedy voltasse e perguntasse aos portugueses e perguntasse o que estavam dispostos a dar pelo país ouvia um imenso não, um não que iria da Madeira aos Açores e do Algarve a Trás-os-Montes. Depois temos sempre uma boa desculpa para o subdesenvolvimento, a culpa é sempre dos outros, para os professores é dos ministros da Educação. Para os magistrados é dos ministros da Justiça, para a direita é da esquerda, para a esquerda é da direita e da própria esquerda, para os trabalhadores é dos empresários e vice-versa, ninguém tem culpa.
[in O Jumento]
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publicado por DT às 03:30
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1 comentário:
De Maria a 28 de Dezembro de 2008 às 11:33
Obrigada mais uma vez pela sua dissertação na hora certa (in O jumento).
Nos pequenos comentários que fui deixando, a propósito da querela dos professores, estava subentendido o posicionamento dos Portugueses quanto à justiça dos julgamentos que fazem dos adversários.
Entreajuda é um sentimento e uma atitude demasiado exigente para os invejosos.
Paradoxalmente os portuguese são muito solidários, mas em causas onde os beneficiários são "coitadinhos".
Quando se trata de reconhecer que existem pessoas com qualidades de liderança, de justiça, de bom senso, etc. (seja quem governa, um colega, um vizinho ou um familiar...), que são capazes de trabalhar para causas que beneficiam todos, o comportamento dos portugueses é imediatamente minado pelo sentimento da inveja.
Para Francesco Alberoni a inveja diz respeito ao ter e ao ser... às posses e aos reconhecimentos.
Reconhecer é dificil, ajudar ao sucesso dos outros é quase impossível para nós portugueses...

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